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Um olhar integral para o ambiente: habilidade do controlador profissional

Controle Consciente
28.06.2018

Noção de espaço. Para o dia a dia de quem trabalha com o controle de pragas urbanas, isso é muito mais do que saber se localizar na cidade. Um bom serviço começa com uma visão geral de todo o ambiente que se busca proteger. Na teoria, é simples: pragas vêm de algum lugar e passam por algum lugar para adentrar o recinto. Mas esse entendimento é um pouco mais complexo. Não se trata de um mero "bê-a-bá". São os quatro "As". E o caminho é o Acesso.

 

"Muitas vezes, um bloqueio simples, como uma porta mantida sempre fechada, é suficiente para impedir esse acesso. Outros casos requerem uma investigação mais profunda e podem envolver um buraco na parede ou o encanamento. De qualquer forma, compreender o percurso das pragas pode poupar tempo e dinheiro ao se estabelecerem medidas para impedir que novas populações passem e se instalem", explica Eder Rede, biólogo especializado em pragas urbanas.

 

Pragas, portanto, acessam o local para se abrigar. E sendo o Abrigo mais um desses As, saber quais condições permitem que eles se mantenham ali também é essencial. Você sabia que uma população de baratas, por exemplo, pode subsistir por muito tempo a partir de algumas bolachas de água e sal esquecidas atrás de um móvel? Este é o Alimento, outro item em nossa lista de As e, para completar o pacote, alguma fonte de Água facilita muito a vida das pragas.

Independentemente da praga, portanto, uma primeira análise requer um olhar treinado para identificar fatores ambientais favoráveis à infestação para que, com sugestões de alterações no espaço, o cliente possa, então, contar com uma segunda etapa do serviço muito mais eficiente, já que nenhum dos As estará mais disponível às pragas que ameaçam o bom funcionamento daquele local. "O caminho fica livre para, aí sim, a implementação de um controle biológico ou químico, com menos aplicações, bastando que o acompanhamento seja feito de acordo com o ciclo das pragas para constatar o sucesso", conclui Rede.

NO CAMPO, A HISTÓRIA É OUTRA

O cenário para a produção animal é bastante distinto. Para o controle de pragas, há que se seguir legislações específicas relativas ao setor, o que determina, inclusive, se é possível realizar o autosserviço ou se é necessária a contratação de serviço terceirizado.

"Uma diferença muito importante para a área urbana é que, na rural, tudo é maior em escala: área de controle, disponibilidade dos quatro As, populações de pragas. Enfim, as dimensões são superiores, o que requer um olhar também mais amplo. Dessa forma, um bom controle exige que se enxergue em um raio mais extenso em torno da propriedade, do criadouro ou de qualquer que seja o espaço de produção", explica Marcos Roberto Potenza, Engenheiro Agrônomo especialista em Entomologia Urbana.

O tempo também é um fator crucial na diferença entre os modelos de controle urbano e rural. Enquanto é possível fazer um acompanhamento mensal em um local na cidade, no campo, um mês pode ser um período demasiadamente extenso. "Se houver, de fato, uma infestação, o monitoramento precisa ser semanal e a quantidade de iscas, quando for esta a opção, deve ser maior. Além de tudo, no caso de raticidas, todo cuidado é pouco na criação animal, pois não se pode deixar o produto próximo aos animais".

Assim, a dinâmica é muito diferente. Com poucas possibilidades de restringir os quatro As às pragas, sendo que a maioria destes recursos é destinada aos animais em criadouro, é necessário criar barreiras físicas, quando possível. "À noite, a retirada da ração e a substituição pelas iscas como fonte de alimento é eficiente para pragas de hábitos noturnos, como os roedores, mas isso exige uma atenção extra na distribuição destas iscas e a necessidade da remoção logo na manhã seguinte, para que animais como bovinos e suínos não tenham contato com o produto. Isso requer também que a empresa esteja sempre próxima ao produtor", conclui Potenza.