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O papel do controlador de pragas na defesa de nossa cultura e história

Controle Consciente
23.07.2018

Todos nós somos responsáveis por preservar aquilo que nos constitui como sociedade: edifícios que marcam época, nossa arte visual e escrita e documentos arquivados que contam quem somos e como chegamos aqui. Essa verdadeira memória física da humanidade sofre diversas ameaças, como as intempéries, a sujeira e o próprio ar. Pragas, no entanto, são comuns nesses ambientes, que, quando reúnem condições para que elas se instalem, tornam o trabalho de conservação mais árduo.

Aqui entra em cena o controlador profissional de pragas urbanas. Neste caso, a análise inicial do espaço, bem como a identificação de pragas e os fatores que as atraem são diversos, e merecem um protocolo próprio, desenvolvido para esse tipo de ambiente.

"Podemos usar o exemplo de um pequeno museu etnográfico, que representa a cultura de um povo. As próprias peças de acervo podem ser fonte de alimento: tecidos, papel, tintas vegetais, couros, resinas. Há peças que não podem, de forma alguma, ser tratadas diretamente, como um livro ou uma escultura”, explica Eder Rede, biólogo especialista em controle de pragas.

Assim, há dois focos principais de intervenção: a limpeza física, com remoção de ovos de pragas, poeira e outros elementos; e o controle periférico. São raros os casos em que se pode tratar uma sala de exposições. Mas, é possível impedir que pragas que ameaçam o local cheguem até ele. Esse cuidado periférico, nestes casos, configura um controle mais assertivo do acesso.

Insetos biodeterioradores de documentos merecem atenção especial. Além de comuns e abundantes, são também persistentes, por conta das condições favoráveis. Sua capacidade de reprodução é alta e a prole é numerosa. "O que favorece a proliferação de insetos bibliófagos, como a traça e o piolho do livro (psocoptera), são temperatura elevada e umidade, ventilação escassa, ausência de luz, pó e sujeira, cantos e áreas escondidas, entre outros. Interferir nesses fatores é fundamental, com limpeza e higienização diária das peças e eliminação dessas situações atraentes, inclusive com um controle adequado da temperatura, quando possível", diz Francisco José Zorzenon, biólogo e pesquisador especializado em entomologia urbana.

AS EDIFICAÇÕES E A COLETIVIDADE

Prédios antigos, onde há maiores ataques a madeiramento por cupins e brocas, por exemplo, configuram outra vertente para o controle. São peças delicadas, madeiras com mais de 300 anos de idade, como em uma igreja. Quando já há a infestação de cupins, é preciso pensar que os materiais de acabamentos são altamente sensíveis a líquidos. O controlador precisa levar isso em consideração, pensando que alterações no ambiente são importantes preventivamente, como a colocação de iscas no entorno do local.

Aí então pode-se avaliar a necessidade e possibilidade de tratamento com produtos adequados, na dosagem recomendada, com o veículo correto, com um tratamento que priorize o efeito residual à alta frequência de aplicações, já que há outro fator envolvido: a visitação.

"É premissa levar em conta, em edificações de uso público ou coletivo, a variabilidade de públicos e a sensibilidade das pessoas. Por exemplo, em um museu, não é possível realizar uma pulverização às vésperas de uma exposição pela qual circularão milhares de pessoas. Ainda que o risco seja para poucos, para uma pessoa sequer, ele não se justifica. Assim, a escolha do produto mais seguro, na formulação mais adequada, com a metodologia apropriada e para aplicação no tempo correto, é essencial", conclui Eder Rede.